Na Mídia

Camila Kosachenco: motor 3.0

Veículado em 01-01-1970 no Zero Hora

Repórter de ZH, a colunista escreve semanalmente sobre vida saudável.

Lembro como se fosse hoje da minha euforia em contar os dias para, enfim, completar 14 anos, nos idos anos 2000. De lá pra cá, já se passaram 16 anos _ muito bem vividos, como o bom clichê manda. E então, como em uma cena do filme “De Repente 30″, dei de cara com uma mulher no espelho. Fiasquenta que sou, comecei a me apavorar com o “peso dos 30″ e o fato de “virar adulta”.

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Foi então que passei a me interessar por assuntos que antes eu nem ligava, como cremes antirrugas e alimentos que possam ajudar a viver melhor (e quem sabe me levar aos 100?!). Nesse momento, cresceu uma curiosidade em saber tudo aquilo que mudaria no meu corpo: das coisas mais perceptíveis até aquelas que eu nem me dei conta que aconteceriam. Por isso, fui atrás de especialistas para tirar minhas dúvidas.

Como eu sabia, uma das principais mudanças diz respeito ao metabolismo, que começa a ficar um pouco mais lento com o passar do tempo, tornando ainda mais difícil a missão de completar 30 e manter o corpinho de 20. Essa diminuição ocorre, principalmente, porque começamos a perder massa magra. E a quantidade de músculos que temos no corpo está diretamente relacionada com o aumento dessa taxa. Na prática, isso significa que precisamos manter uma dieta saudável e aumentar e preservar a musculatura através de uma rotina de exercícios. Detalhe: nós, mulheres, ficamos atrás dos homens nesse quesito.

— Essa redução de metabolismo é bem maior nas mulheres. Como a testosterona ajuda a manter a massa muscular, dificilmente um homem terá diminuição significativa antes dos 50 anos — observa a endocrinologista especialista pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Graciele Tombini.

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Mas calma! Esses processos não acontecem assim, da noite para o dia, como explicou a minha nutricionista, Renata Schwartz, que é mestre em Metabolismo e Nutrição pela Universidade Autônoma de Barcelona:

— O principal erro, após os 30, é tentar atingir resultados rápidos demais. E, não conseguindo, muitos colocam a culpa na desaceleração do metabolismo, apesar de, aos 35 anos, isso não acontecer em uma pessoa que tenha saúde e uma alimentação normal.

Outra mudança: a taxa de fecundidade mensal é de 17% aos 30 anos, conforme Graciele. O lado bom da história é que, a essa altura da vida, nossos ossos estão no seu ápice da resistência e capacidade. Depois de todo o meu drama, devo confessar: ainda não mudou nada de quarta até hoje. As rugas seguem no mesmo lugar, assim como as celulites permanecem inalteradas.